{"id":1056,"date":"2023-01-27T01:50:53","date_gmt":"2023-01-27T01:50:53","guid":{"rendered":"http:\/\/luzemhisterio.com.br\/blog\/?p=1056"},"modified":"2025-09-03T14:59:37","modified_gmt":"2025-09-03T14:59:37","slug":"deusa-uzume","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/ritos-e-deuses\/deusa-uzume\/","title":{"rendered":"Deusa Uzume"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/ame-no-uzume.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"500\" src=\"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/ame-no-uzume.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2278\" srcset=\"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/ame-no-uzume.png 700w, https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/ame-no-uzume-300x214.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Quando se sentir envergonhada, com medo de ser ridicularizada ou muito dram\u00e1tica, n\u00e3o se leve t\u00e3o a s\u00e9rio. Perceba que a vida \u00e9 muito maior e merece uma atitude mais leve diante das oscila\u00e7\u00f5es de praxe.<\/p>\n\n\n\n<p>Uzume \u00e9 a Deusa do riso, da alegria, da dan\u00e7a e da folia. Desinibida e plena de entusiasmo, ela contagia todos ao seu redor<\/p>\n\n\n\n<p>Uzume Riso que cura tradi\u00e7\u00e3o japonesa\/xinto\u00edsta Seu mito Os deuses celestiais xinto\u00edstas Izanagi e Izanami \u2013 criadores do arquip\u00e9lago japon\u00eas, de todos os deuses e de todos os seres vivos da Terra \u2013 tinham dois filhos: Amaterasu, a Deusa do Sol, e Susanoo, o Deus do Oceano e das Tempestades. Amaterasu tamb\u00e9m era conhecida como a Celeste Iluminada ou A Grande Mulher Que Possui O Meio-Dia. Ela vivia na Plan\u00edcie do Alto C\u00e9u, de onde sa\u00eda todos os dias de manh\u00e3 para iluminar a Terra. Era sua guardi\u00e3 e tamb\u00e9m dos campos de arroz. Presidia ainda a tecelagem feminina, que acontecia na sala de tecelagem do C\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 seu irm\u00e3o ca\u00e7ula, Susanoo, era conhecido como o Var\u00e3o Impetuoso, por ser irasc\u00edvel, cruel e destruidor. Devido a esse mau temperamento e a suas constantes m\u00e1s a\u00e7\u00f5es, Izanagi e Izanami, zangados com o filho, resolveram envi\u00e1-lo para a Terra de Yomi, a regi\u00e3o dos mortos. Susanoo aparentemente aceitou o ex\u00edlio, mas antes pediu aos pais autoriza\u00e7\u00e3o para visitar a irm\u00e3 mais velha. O pedido foi concedido. Amaterasu ficou muito desconfiada das inten\u00e7\u00f5es do irm\u00e3o, mas resolveu receb\u00ea-lo. Ela tinha no C\u00e9u um grande n\u00famero de excelentes campos de arroz, dos quais se sentia muito orgulhosa, juntamente com sua manada de potros malhados. Apesar de dizer que s\u00f3 queria se despedir da irm\u00e3 e que tinha se regenerado, ao chegar ao C\u00e9u, Susanoo teve um acesso de f\u00faria e destruiu todos os campos de arroz. N\u00e3o satisfeito, matou um potro celestial e jogou o seu cad\u00e1ver sobre os teares das sacerdotisas tecel\u00e3s. Assustadas, elas sa\u00edram correndo em disparada e acabaram se atropelando. Uma delas morreu, perfurada por sua pr\u00f3pria lan\u00e7adeira. Extremamente ressentida e zangada, Amaterasu decidiu abandonar o Reino do C\u00e9u. Juntou suas vestes resplandecentes, escondeu-se em uma caverna profunda, lacrou sua entrada com uma rocha muito pesada e passou a viver em total reclus\u00e3o. Com isso, privou o mundo de seu calor e de sua luz. A escurid\u00e3o imperou. A altern\u00e2ncia entre o dia e a noite passou a n\u00e3o existir mais e o mundo s\u00f3 conhecia as trevas. Tudo congelou e os campos murcharam. O p\u00e2nico foi semeado desde a Terra at\u00e9 o C\u00e9u, onde viviam os Deuses e Deusas que, como os humanos, tamb\u00e9m n\u00e3o enxergavam mais nada. Oitocentas divindades se juntaram \u00e0 beira da caverna para tentar convencer Amaterasu a sair de l\u00e1, mas foi em v\u00e3o, nada conseguiram! Ela parecia totalmente surda a qualquer apelo. Foi ent\u00e3o que surgiu Uzume, a Deusa do Riso, da Alegria, da Dan\u00e7a e da Folia. Ela pegou um barril, virou-o de ponta-cabe\u00e7a, subiu nele e come\u00e7ou a dan\u00e7ar de maneira provocante. O ritmo foi aumentando conforme seus p\u00e9s tamborilavam e ela ainda resolveu colocar os seios para fora. Tamb\u00e9m come\u00e7ou a contar piadas e a fazer caretas e, de repente, sem que ningu\u00e9m esperasse, levantou o quimono e mostrou sua vulva. Naquele momento as oitocentas divindades ca\u00edram em sonora gargalhada e passaram a bater palmas, a rir e a gritar. Fizeram tamanha algazarra que Amaterasu, curiosa, resolveu puxar um pouco a rocha que fechava a caverna, entreabrindo seu esconderijo para espiar de onde vinha todo aquele alarido. Viu ent\u00e3o sua luz refletida em um grande espelho que os deuses haviam colocado em frente \u00e0 entrada da caverna. Encantada com o pr\u00f3prio reflexo, foi lentamente saindo do esconderijo. Da\u00ed, v\u00e1rios deuses saltaram e empurraram a rocha com muita for\u00e7a para fechar definitivamente a entrada da caverna, evitando que ela voltasse a se esconder. A luz e o calor de Amaterasu, a Deusa do Sol, voltaram \u00e0 Terra, o padr\u00e3o de dia e noite retornou e a terra tornou-se f\u00e9rtil de novo. Uzume, com sua alegria, seu riso, sua irrever\u00eancia e sua folia, ajudou a salvar a humanidade! O mito de retorno da luz e da vida ao mundo era celebrado anualmente no Jap\u00e3o, em um rito xinto\u00edsta no qual a kagura (dan\u00e7a) de Uzume que provocava boas risadas era realizada nos templos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong> O que Uzume pode nos ensinar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p> Uzume pode ser o ant\u00eddoto perfeito para duas atitudes emocionais que, se duradouras, s\u00e3o das mais nefastas, pois tornam a vida um sofrimento eterno: a amargura e a pena de si mesma. As duas costumam \u201ccaminhar juntas\u201d! E, pior, elas s\u00e3o autof\u00e1gicas, se alimentam de si mesma, ou seja, quanto mais amargura e\/ou pena de n\u00f3s sentimos mais amargura e\/ou pena de n\u00f3s vamos sentir. Obviamente as duas atitudes acometem tanto mulheres como homens, mas s\u00e3o muito mais comuns em mulheres. Ao que parece, isso acontece devido \u00e0 frustra\u00e7\u00e3o da mulher diante da falta de liberdade que sempre marcou sua trajet\u00f3ria. N\u00e3o \u00e9 nada incomum termos m\u00e3es com essas caracter\u00edsticas e muitas vezes fica dif\u00edcil n\u00e3o entrar nessa tamb\u00e9m. Pensando de forma metaf\u00f3rica, quem n\u00e3o enfrentou um, uma ou v\u00e1rios Susanoo, que pisam, destroem, estragam coisas que nos s\u00e3o caras? Perdas, decep\u00e7\u00f5es e frustra\u00e7\u00f5es fazem parte da vida de todas, n\u00e3o existe vida em que n\u00e3o acontecem coisas ruins, tristes, \u00e0s vezes at\u00e9 tr\u00e1gicas. Todas passamos, em algum momento, por tempos de profunda tristeza, em que precisamos nos recolher para curar nossas feridas. Eles s\u00e3o inevit\u00e1veis e devem ser vividos para que o acontecimento seja \u201cdigerido\u201d , para que a gente aprenda o que tiver de aprender \u2013 tudo na vida ensina, se quisermos \u2013 e amadure\u00e7a. O grande problema \u00e9 escolher n\u00e3o sair disso, fazer como Amaterasu e se trancar por dentro em uma caverna, a da amargura e\/ou da pena de si mesma. Com isso, tudo \u00e0 nossa volta perde a luz e o calor. Nessa escurid\u00e3o, tendemos a n\u00e3o ver nada al\u00e9m da pr\u00f3pria escurid\u00e3o: n\u00e3o vemos os outros, n\u00e3o vemos a vida que est\u00e1 passando e o mundo fica \u201cgirando ao redor do nosso umbigo cheio de dor\u201d. Nesse momento precisamos da nossa Uzume interna, para que ela nos leve a sair desse \u201cburaco\u201d escuro em que entramos e nos fa\u00e7a olhar para fora, ter uma nova perspectiva. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, \u00e9 preciso coragem, porque no fim das contas existe um conforto em sermos amargas ou v\u00edtimas. Essas atitudes justificam para os outros e, acima de tudo, para n\u00f3s mesmas a nossa ina\u00e7\u00e3o. Primeiro \u00e9 preciso admitir que fomos n\u00f3s que nos pusemos nessa caverna e que s\u00f3 n\u00f3s podemos sair dela. Temos que aceitar que nosso controle sobre a nossa vida \u00e9 limitado e que a vida n\u00e3o est\u00e1 contra n\u00f3s ou a nosso favor, n\u00e3o somos suas v\u00edtimas. \u00c9 somente a vida, e as coisas acontecem sem que o que pensamos ou queremos seja levado em conta. Cabe a n\u00f3s responder aquilo que ela nos traz, e nisso podemos escolher ser felizes ou infelizes. Se escolhermos a via da amargura ou da pena de n\u00f3s mesmas, tudo o que acontecer vai cair nesse buraco e teremos esse olhar pessimista para seja l\u00e1 o que for. Se, ao contr\u00e1rio, escolhermos a via do riso, da irrever\u00eancia, do bom humor, como Uzume, isso n\u00e3o nos livrar\u00e1 da tristeza, mas n\u00e3o a habitaremos em definitivo. A postura de buscar a alegria de viver \u2013 o que n\u00e3o significa nos tornarmos donas de \u00f3culos cor-de-rosa eternos, que s\u00f3 nos fazem ing\u00eanuas e tolas \u2013 pode ser um dos agentes mais transformadores e curativos que existem, al\u00e9m de ter um componente contagiante t\u00e3o ou mais forte que a amargura e o pessimismo. Assim como podemos trazer ao nosso redor escurid\u00e3o e frio, podemos trazer luz e calor. Saber rir de n\u00f3s mesmas, sem ter vergonha, sem nos sentirmos diminu\u00eddas e mantendo a autoestima, \u00e9 um dos grandes sinais de maturidade emocional. \u00c9 n\u00e3o se levar t\u00e3o a s\u00e9rio, enxergar e aceitar a vida, mesmo quando dif\u00edcil, com mais serenidade. \u00c9 saber que somos poeira de estrelas quando pensamos em nosso tamanho diante do universo e nos sabemos poeira; e que somos estrelas, quando reconhecemos a nossa import\u00e2ncia como indiv\u00edduos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/O-legado-das-Deusas1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"240\" height=\"360\" src=\"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/O-legado-das-Deusas1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2279\" srcset=\"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/O-legado-das-Deusas1.jpg 240w, https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/O-legado-das-Deusas1-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/a><figcaption>Neste livro, a autora apresenta 20 mitos de deusas das mais diversas culturas e, a partir dessas breves hist\u00f3rias, discute os ensinamentos que esses mitos podem trazer para as mulheres contempor\u00e2neas. Afinal, o processo de afirma\u00e7\u00e3o feminina na sociedade atual \u00e9 ainda muito incipiente diante de mais de 2 mil anos de domina\u00e7\u00e3o patriarcal.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Esta Deusa acima me encantou  e resolvi compartilhar com voc\u00eas. Vamos rir e sermos alegres sempre.<\/p>\n\n\n\n<p>Namast\u00ea!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uzume \u00e9 a Deusa do riso, da alegria, da dan\u00e7a e da folia. 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