{"id":1196,"date":"2018-10-29T19:42:09","date_gmt":"2018-10-29T19:42:09","guid":{"rendered":"http:\/\/luzemhisterio.com.br\/blog\/?p=1196"},"modified":"2018-10-29T19:42:09","modified_gmt":"2018-10-29T19:42:09","slug":"musas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/ritos-e-deuses\/musas\/","title":{"rendered":"Musas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1198\" src=\"http:\/\/luzemhisterio.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/horae_by_arbetta-d6s0oye-300x203.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"203\" srcset=\"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/horae_by_arbetta-d6s0oye-300x203.jpg 300w, https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/horae_by_arbetta-d6s0oye-768x521.jpg 768w, https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/horae_by_arbetta-d6s0oye.jpg 1000w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>As musas s\u00e3o deusas gregas ligadas \u00e0 inspira\u00e7\u00e3o. Para os antigos gregos, toda forma de criatividade vinha dos deuses, fosse um poema, uma m\u00fasica, uma obra de arte ou um estudo cient\u00edfico. Essa ideia continuou mesmo ap\u00f3s o fim da civiliza\u00e7\u00e3o grega, ainda hoje \u00e9 comum ouvir que algu\u00e9m teve uma ideia t\u00e3o boa que foi &#8220;inspirada por deus&#8221;, &#8220;por um anjo&#8221;, etc.<\/p>\n<p>As musas s\u00e3o as cantoras divinas, cujos coros e hinos alegram o cora\u00e7\u00e3o de Zeus e de todos os Imortais<\/p>\n<p>As Musas pertencem originariamente \u00e0 fam\u00edlia das ninfas: s\u00e3o as fontes inspiradoras que comunicam aos homens a faculdade po\u00e9tica e lhes ensinam as divinas cad\u00eancias. O seu n\u00famero tem variado bastante segundo os tempos e as localidades; mas primitivamente eram apenas tr\u00eas, Melete (A Medita\u00e7\u00e3o), Mneme (A Mem\u00f3ria) e Aoide (O Canto). Habitualmente s\u00e3o nove irm\u00e3s que Hes\u00edodo diz terem nascido de Zeus e Mnem\u00f3sina, a Mem\u00f3ria. &#8220;Na Pieria, Mnem\u00f3sina, que reinava sobre as colinas de Eleut\u00e9rio, unida ao filho de Crono, deu \u00e0 luz essas virgens que proporcionam o esquecimento dos males e o fim das dores. Durante nove noites, o prudente Zeus, deitando-se no leito sagrado, dormiu ao lado de Mnem\u00f3sina, longe de todos os imortais. Um ano depois, tendo as esta\u00e7\u00f5es e os meses percorrido o seu curso, bem como os dias, Mnem\u00f3sina deu \u00e0 luz nove filhas animadas do mesmo esp\u00edrito, sens\u00edveis ao encanto da m\u00fasica e trazendo no peito um cora\u00e7\u00e3o isento de inquieta\u00e7\u00f5es; deu-as \u00e0 luz perto do pico elevado do nervoso Olimpo no qual elas formam coros brilhantes e possuem pac\u00edficas moradas. Ao seu lado, postam-se as Carites e o Desejo nos festins, em que a sua boca, expandindo am\u00e1vel harmonia, canta as leis do universo e as respeit\u00e1veis fun\u00e7\u00f5es dos deuses. Orgulhosas da bel\u00edssima voz e dos seus divinos concertos, subiram ao Olimpo; a terra negra ecoava-lhes os acordes, e sob os seus p\u00e9s se erguia um ru\u00eddo sedutor, enquanto elas rumavam para o autor dos seus dias, o rei do c\u00e9u, o senhor do trov\u00e3o e do raio ardente, o qual, poderoso vencedor de seu pai Crono, distribuiu equitativamente entre todos os deuses as incumb\u00eancias e honras. \u201cEis o que cantavam as Musas moradoras do Olimpo, as nove filhas do grande Zeus, Clio, Euterpe, Talia, Melp\u00f4mene, Terps\u00edcore, Erato, Pol\u00edmnia, Ur\u00e2nia e Cal\u00edope, a mais poderosa de todas, pois serve de companheira aos vener\u00e1veis reis. Quando as filhas do grande Zeus querem honrar um desses reis, filhos dos c\u00e9us, mal o v\u00eaem nascer derramam-lhe sobre a l\u00edngua um delicado orvalho, e as palavras lhe fluem da boca como verdadeiro mel. Eis o divino privil\u00e9gio que as Musas concedem aos mortais.&#8221; (Hes\u00edodo).<\/p>\n<p>As Musas eram respeitad\u00edssimas e o talento dos artistas tido como dom das nove irm\u00e3s. Nas suas est\u00e1tuas, liam-se inscri\u00e7\u00f5es como a seguinte : &#8220;\u00d3 deus, o m\u00fasico Xenocles mandou erguer-vos esta est\u00e1tua de m\u00e1rmore, monumento da gratid\u00e3o. Todos dir\u00e3o: &#8216;Na gl\u00f3ria que lhe proporcionou o seu talento, Xenocles n\u00e3o se esqueceu daquelas que o inspiraram&#8217;.&#8221; (Te\u00f3crito).<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a derrota dos Tit\u00e3s, os deuses pediram a Zeus que criasse divindades capazes de cantar condignamente a grande vit\u00f3ria dos Ol\u00edmpicos. Zeus partilhou o leito de Mnem\u00f3sina durante nove noites consecutivas e, no tempo devido, nasceram as nove musas. H\u00e1 outras tradi\u00e7\u00f5es e variantes que fazem delas filhas de Harmonia ou de Urano e Geia, mas essas genealogias remetem direta ou indiretamente a concep\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas sobre a primazia da M\u00fasica no universo. As musas s\u00e3o apenas as cantoras divinas, cujos coros e hinos alegram o cora\u00e7\u00e3o de Zeus e de todos os Imortais, j\u00e1 que sua fun\u00e7\u00e3o principal era presidir ao Pensamento sob todas as suas formas: sabedoria, eloq\u00fc\u00eancia, persuas\u00e3o, hist\u00f3ria, matem\u00e1tica, astronomia. Para Hes\u00edodo, s\u00e3o as musas que acompanham os reis e ditam-lhes palavras de persuas\u00e3o, capazes de serenar as querelas e restabelecer a paz entre os homens. Do mesmo modo, acrescenta o poeta de Ascra, \u00e9 suficiente que um cantor, um servidor das musas celebre as fa\u00e7anhas dos homens dos passado ou os deuses felizes, para que se esque\u00e7am as inquieta\u00e7\u00f5es e ningu\u00e9m mais se lembre de seus sofrimentos.<\/p>\n<p>Havia dois grupos principais de Musas: as da Tr\u00e1cia e as da Be\u00f3cia. As primeiras, vizinhas do monte Olimpo, s\u00e3o as Pi\u00e9rides; as outras, as da Be\u00f3cia, habitam o H\u00e9licon e est\u00e3o mais ligadas a Apolo, que lhe dirige os cantos em torno da fonte de Hipocren, cujas \u00e1guas favoreciam a inspira\u00e7\u00e3o po\u00e9tica.<\/p>\n<p>Embora em Hes\u00edodo j\u00e1 apare\u00e7am as nove Musas, esse n\u00famero variava muito, at\u00e9 que na \u00e9poca cl\u00e1ssica seu n\u00famero, nomes e fun\u00e7\u00f5es se fixaram: Cal\u00edope preside \u00e0 poesia \u00e9pica; Clio, \u00e0 hist\u00f3ria; Pol\u00edmnia \u00e0 ret\u00f3rica; Euterpe, \u00e0 m\u00fasica; Terps\u00edcore, \u00e0 dan\u00e7a; \u00c9rato, \u00e0 l\u00edrica coral; Melp\u00f4mene, \u00e0 trag\u00e9dia; Talia, \u00e0 com\u00e9dia; Ur\u00e2nia, \u00e0 astronomia.<\/p>\n<p>Atributos das Musas &#8211; Para compreendermos as honras que os antigos prestavam \u00e0s Musas, devemos lembrar-nos de que nas \u00e9pocas primitivas a poesia \u00e9 um dos agentes mais poderosos da civiliza\u00e7\u00e3o. A arte representa as Musas sob a forma de jovens cobertas de longas t\u00fanicas; usam, \u00e0s vezes, plumas na cabe\u00e7a, como recorda\u00e7\u00e3o da vit\u00f3ria obtida contra as sereias, mulheres-p\u00e1ssaros. As Musas foram sendo, pouco a pouco, caracterizadas por atributos especiais, e a arte reservou a cada uma delas um papel particular.<\/p>\n<p>Clio, a musa da hist\u00f3ria, est\u00e1 caracterizada pelo rolo que segura.<\/p>\n<p>Cal\u00edope preside aos poemas destinados a celebrar her\u00f3is. A escultura a representou sentada num rochedo do Parnaso; parece meditar e prepara-se para escrever versos em tabuinhas que segura numa das m\u00e3os.<\/p>\n<p>A m\u00e1scara tr\u00e1gica, a coroa b\u00e1quica e o coturno de que est\u00e1 cal\u00e7ada Melp\u00f4mene a d\u00e3o a reconhecer por musa da trag\u00e9dia. Usa, \u00e0s vezes, os atributos de Her\u00e1cles para exprimir o terror ; a sua coroa b\u00e1quica lembra que a trag\u00e9dia foi inventada para celebrar as festas de Baco. H\u00e1 no Louvre uma est\u00e1tua colossal de Melp\u00f4mene que pertence \u00e0 mais bela \u00e9poca da arte grega.<\/p>\n<p>Terps\u00edcore, Musa da poesia l\u00edrica, da dan\u00e7a e dos coros, est\u00e1 habitualmente coroada de louros e toca lira para animar a dan\u00e7a.<\/p>\n<p>A m\u00e1scara c\u00f4mica, a coroa de Hera, o cajado de pastor, de que se serviam os atores na antiguidade, o t\u00edmpano ou tambor em uso nas festas b\u00e1quicas s\u00e3o os atributos comuns de Talia, musa da com\u00e9dia.<\/p>\n<p>Erato \u00e9 a Musa da poesia amorosa, e em geral empunha uma lira. Tinha Erato grande import\u00e2ncia nas festas que se realizavam por ocasi\u00e3o das n\u00fapcias.<\/p>\n<p>A Musa que preside \u00e0 m\u00fasica, Euterpe, empunha uma flauta. Temos no Louvre v\u00e1rias est\u00e1tuas de Euterpe not\u00e1veis. A Musa da m\u00fasica est\u00e1, por vezes, acompanhada do corvo, ave de Apolo.<\/p>\n<p>Ur\u00e2nia, Musa da astronomia, segura um globo numa das m\u00e3os e na outra um r\u00e1dio, varinha que servia para indicar os sinais vistos no c\u00e9u.<\/p>\n<p>Pol\u00edmnia, Musa da eloqu\u00eancia e da pantomima, est\u00e1 sempre envolta num grande manto e em atitude de medita\u00e7\u00e3o. Muitas vezes tem uma coroa de rosas. Uma bel\u00edssima est\u00e1tua do Louvre a mostra apoiada ao rochedo do Parnaso, com a cabe\u00e7a sustentada pelo bra\u00e7o direito. Est\u00e1 figurada na mesma posi\u00e7\u00e3o num baixo-relevo representando a apoteose de Homero.<\/p>\n<p>Nos monumentos antigos, Apolo aparece freq\u00fcentemente como condutor das Musas. Chama-se, ent\u00e3o, Musagete, e usa uma longa t\u00fanica. Esse tema agradava bastante aos artistas da Renascen\u00e7a, que o representaram com freq\u00fc\u00eancia. O belo quadro de Mantegna, que o cat\u00e1logo do Louvre designa sob o nome de Parnaso, representa Apolo fazendo dan\u00e7ar as Musas ao som da lira, na presen\u00e7a de Ares, Afrodite e Eros colocados sobre uma eleva\u00e7\u00e3o. No canto, Hermes empunhando um longo caduceu ap\u00f3ia-se sobre o cavalo P\u00e9gaso. Rafael, no c\u00e9lebre afresco do Vaticano, tamb\u00e9m coloca as Musas sob a presid\u00eancia de Apolo, conforme \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o, que as faz seguir o deus da lira. O pr\u00f3prio Apolo dan\u00e7a com as Musas, na famosa ronda das Musas, pintada por Jules Romain. O lugar das Musas era naturalmente assinalado nos sarc\u00f3fagos, assim como as m\u00e1scaras de teatro que ali vemos freq\u00fcentemente esculpidas. A vida era considerada um papel que cada um desempenhava ao passar pela terra, e quando era bem desempenhado, conduzia \u00e0 ilha dos Venturosos. Todos esses velhos usos desapareceram pelo fim do imp\u00e9rio, e o papel civilizador que se atribu\u00edra \u00e0s Musas foi esquecido. Um dos \u00faltimos escritores pag\u00e3os, contempor\u00e2neo das invas\u00f5es b\u00e1rbaras, o historiador Z\u00f3zimo, fala da destrui\u00e7\u00e3o das imagens das Musas do Helic\u00e3o, que haviam sido conservadas ainda na \u00e9poca de Constantino. &#8220;Ent\u00e3o, diz ele, fez-se guerra \u00e0s coisas santas, mas a destrui\u00e7\u00e3o das Musas pelo fogo foi um press\u00e1gio da ignor\u00e2ncia em que o povo iria tombar.&#8221;<\/p>\n<p>Dion\u00edsio, t\u00e3o freq\u00fcentemente quanto Apolo, est\u00e1 representado conduzindo o coro das Musas, e at\u00e9 parece que acabou por ter mais import\u00e2ncia em tal papel do que o deus de Delfos. A inspira\u00e7\u00e3o vem da ebriedade divina, e ali\u00e1s Dion\u00edsio \u00e9 o inventor do teatro. No coro das Musas, a declama\u00e7\u00e3o n\u00e3o podia deixar de ocupar o seu posto ao lado da inven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O magn\u00edfico t\u00famulo conhecido pelo nome de Sarc\u00f3fago das musas, no Louvre, foi descoberto no come\u00e7o do s\u00e9culo XVIII, a uma l\u00e9gua de Roma, na estrada de Ostia. O baixo-relevo principal representa as nove Musas, caracterizadas pelos seus atributos distintivos. Cal\u00edope, empunhando o cetro est\u00e1 em companhia de Homero e Erato conversa com S\u00f3crates: eis o tema dos dois baixos-relevos que ornam as faces laterais. Na lousa, v\u00ea-se um festim dionis\u00edaco, em alus\u00e3o \u00e0s alegrias da vida futuro.<br \/>\nPesquisa realizada em: www.mitologia.templodeapolo.net<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As musas s\u00e3o deusas gregas ligadas \u00e0 inspira\u00e7\u00e3o. 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