{"id":4098,"date":"2026-10-01T20:20:09","date_gmt":"2026-10-01T20:20:09","guid":{"rendered":"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/?p=4098"},"modified":"2026-10-01T20:20:09","modified_gmt":"2026-10-01T20:20:09","slug":"nutrir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/questao-de-ser\/nutrir\/","title":{"rendered":"Nutrir"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/nutrir.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"725\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/nutrir-725x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4099\" srcset=\"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/nutrir-725x1024.png 725w, https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/nutrir-212x300.png 212w, https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/nutrir-768x1085.png 768w, https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/nutrir-600x848.png 600w, https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/nutrir-945x1336.png 945w, https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/nutrir.png 1055w\" sizes=\"auto, (max-width: 725px) 100vw, 725px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Nutrir &#8211; Quando o sabor afaga o cora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Comer nunca foi apenas alimentar o corpo. Comer tamb\u00e9m \u00e9 sentir, recordar, pertencer.<\/p>\n\n\n\n<p>Toda casa possui uma esp\u00e9cie de identidade invis\u00edvel feita de aromas. H\u00e1 lares que cheiram a caf\u00e9 passado na hora, outros a alho refogado, p\u00e3o assando, canela, erva-doce, molho de tomate ou feij\u00e3o rec\u00e9m &#8211; temperado. S\u00e3o cheiros t\u00e3o cotidianos que quase n\u00e3o percebemos quando est\u00e3o presentes. Mas basta reencontr\u00e1-los muitos anos depois para que alguma porta antiga se abra dentro de n\u00f3s. De repente, n\u00e3o estamos mais apenas diante de um prato. Estamos diante de uma lembran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Existe um abra\u00e7o escondido dentro de um bolinho de chuva. H\u00e1 aconchego numa fatia ainda morna de bolo de fub\u00e1 com erva-doce. O cheiro do caf\u00e9 pode trazer de volta uma mesa antiga, uma toalha florida, uma conversa entre adultos que a crian\u00e7a fingia n\u00e3o escutar.<\/p>\n\n\n\n<p>E aquele cheiro de comida vindo da cozinha enquanto brinc\u00e1vamos?<\/p>\n\n\n\n<p>Era quase um rel\u00f3gio afetivo anunciando: \u201cDaqui a pouco estaremos todos juntos \u00e0 mesa.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A crian\u00e7a aprende os sabores muito antes de compreender o significado emocional que eles ter\u00e3o em sua vida. Somente depois de adulta poder\u00e1 perceber que n\u00e3o sentia apenas o gosto do bolo. Sentia tamb\u00e9m a presen\u00e7a de quem o preparava, a seguran\u00e7a daquela casa e a sensa\u00e7\u00e3o de ser cuidada.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas receitas tornam-se verdadeiras heran\u00e7as afetivas. Passam de av\u00f3s para m\u00e3es, de m\u00e3es para filhos e, algumas vezes, ningu\u00e9m sabe mais exatamente onde come\u00e7aram.<\/p>\n\n\n\n<p>Falta um ingrediente que n\u00e3o pode ser comprado: a lembran\u00e7a daquele tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>O olfato possui uma rela\u00e7\u00e3o particularmente \u00edntima com mem\u00f3ria e emo\u00e7\u00e3o. Um aroma pode despertar recorda\u00e7\u00f5es com uma rapidez surpreendente: lugares, pessoas e acontecimentos que pareciam esquecidos reaparecem acompanhados, muitas vezes, das sensa\u00e7\u00f5es daquele momento. Certos cheiros parecem capazes de atravessar d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma erva, um doce, uma fruta ou um tempero podem nos transportar novamente para uma cozinha que talvez nem exista mais.<\/p>\n\n\n\n<p>E ent\u00e3o acontece algo bonito: por alguns instantes, a crian\u00e7a que fomos senta-se novamente \u00e0 mesa conosco.<\/p>\n\n\n\n<p>Preparar uma comida que pertence \u00e0 nossa hist\u00f3ria pode ser uma forma delicada de afagar o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Num dia dif\u00edcil, talvez o que desejemos n\u00e3o seja um prato sofisticado. Queremos a sopa que algu\u00e9m fazia quando est\u00e1vamos doentes. O p\u00e3o com manteiga das tardes. O arroz-doce das festas. O chocolate quente dos dias frios. O bolo simples que perfumava a casa inteira.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o porque esses alimentos tenham o poder de resolver nossas tristezas, mas porque carregam uma linguagem afetiva conhecida: \u201cAqui existe cuidado.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>E podemos criar novas mem\u00f3rias da mesma maneira.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando cozinhamos com uma crian\u00e7a, permitimos que ela misture a massa, sinta o cheiro das ervas, prove um pedacinho, suje a bancada e espere impaciente o bolo ficar pronto, estamos preparando muito mais do que alimento. Estamos construindo uma lembran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dia, talvez j\u00e1 adulta, ela sinta aquele mesmo aroma em algum lugar distante e, sem saber exatamente por qu\u00ea, sorria.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste m\u00eas dedicado \u00e0 crian\u00e7a e \u00e0 crian\u00e7a interior, vale uma pequena experi\u00eancia: prepare uma receita da sua inf\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto cozinha, perceba os aromas. Recorde quem preparava aquele alimento, como era a cozinha, quem estava \u00e0 mesa e quais sentimentos aquela lembran\u00e7a desperta.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois experimente devagar, voc\u00ea vai descobrir que determinados sabores nunca pertenceram apenas ao paladar.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns alimentos nutrem o corpo. Outros, al\u00e9m disso, guardam hist\u00f3rias. E existem aqueles que, ao primeiro aroma, parecem atravessar o tempo somente para nos oferecer novamente um antigo abra\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Dicas da Minha Inf\u00e2ncia<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Receitas que ainda t\u00eam cheiro de carinho<\/h2>\n\n\n\n<p>Existem receitas que n\u00e3o est\u00e3o apenas no caderno de cozinha. Elas ficam guardadas em outro lugar: <strong>na mem\u00f3ria<\/strong>. S\u00e3o sabores simples que atravessam os anos e, quando voltam \u00e0 mesa, parecem trazer junto uma tarde antiga, uma cozinha conhecida e o carinho de algu\u00e9m que cuidava de n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Para acompanhar nosso <strong>Nutrir<\/strong>, escolhi duas receitas que t\u00eam gosto de inf\u00e2ncia: <strong>Bolinho de Chuva e Bolo de Fub\u00e1 com Erva-Doce.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Bolinho de Chuva \u2014 um abra\u00e7o coberto de a\u00e7\u00facar e canela<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Ingredientes:<\/strong> 2 ovos; \u00bd x\u00edcara de a\u00e7\u00facar; 1 x\u00edcara de leite; aproximadamente 2\u00bd x\u00edcaras de farinha de trigo; 1 colher (sopa) de fermento em p\u00f3; 1 pitada de sal; \u00f3leo para fritar; a\u00e7\u00facar e canela para finalizar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como fazer:<\/strong> misture os ovos com o a\u00e7\u00facar e acrescente o leite. Aos poucos, coloque a farinha e a pitadinha de sal, mexendo at\u00e9 obter uma massa cremosa e consistente, que caia lentamente da colher. Por \u00faltimo, misture delicadamente o fermento.<\/p>\n\n\n\n<p>Aque\u00e7a o \u00f3leo em fogo m\u00e9dio e coloque pequenas por\u00e7\u00f5es da massa com uma colher. Frite at\u00e9 os bolinhos ficarem douradinhos, retire e deixe escorrer sobre papel-toalha. Ainda mornos, passe-os numa mistura de a\u00e7\u00facar com canela.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dica da minha inf\u00e2ncia:<\/strong> bolinho de chuva n\u00e3o combina com pressa. Fa\u00e7a pequenos, deixe dourar devagar e coma pelo menos um ainda morninho. Se houver uma tarde chuvosa do lado de fora da janela, melhor ainda. \u00c9 quase imposs\u00edvel n\u00e3o encontrar uma lembran\u00e7a dentro dele.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Bolo de Fub\u00e1 com Erva-Doce \u2014 perfume de casa<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Ingredientes:<\/strong> 3 ovos; 1\u00bd x\u00edcara de a\u00e7\u00facar; \u00bd x\u00edcara de \u00f3leo; 1 x\u00edcara de leite; 1\u00bd x\u00edcara de fub\u00e1; 1 x\u00edcara de farinha de trigo; 1 colher (sopa) de fermento em p\u00f3; 1 colher (sopa) de erva-doce.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como fazer:<\/strong> bata os ovos com o a\u00e7\u00facar e acrescente o \u00f3leo e o leite. Junte o fub\u00e1 e a farinha aos poucos, misturando at\u00e9 obter uma massa uniforme. Acrescente a erva-doce e, por \u00faltimo, o fermento.<\/p>\n\n\n\n<p>Coloque em uma forma untada e enfarinhada e leve ao forno preaquecido a <strong>180 \u00b0C<\/strong>, por aproximadamente <strong>35 a 45 minutos<\/strong>, ou at\u00e9 que esteja dourado e um palito saia limpo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dica da minha inf\u00e2ncia:<\/strong> n\u00e3o tenha pressa de cortar. Primeiro deixe o perfume do fub\u00e1 e da erva-doce tomar conta da cozinha. Depois sirva uma fatia ainda levemente morna, acompanhada de caf\u00e9 ou ch\u00e1. \u00c0s vezes, <strong>o aconchego come\u00e7a antes da primeira mordida \u2014 come\u00e7a no aroma que anuncia que tem bolo no forno.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Talvez essas receitas n\u00e3o fiquem exatamente iguais \u00e0s que moram em nossas lembran\u00e7as. Afinal, <strong>as receitas da inf\u00e2ncia sempre carregam um ingrediente imposs\u00edvel de medir: o afeto de quem as preparava.<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Mas podemos prepar\u00e1-las novamente, reunir quem amamos ao redor da mesa e acrescentar um ingrediente novo: <strong>as lembran\u00e7as que estamos criando agora.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com muito carinho,<br><strong>Monica<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Talvez essas receitas n\u00e3o fiquem exatamente iguais \u00e0s que moram em nossas lembran\u00e7as. 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