{"id":58,"date":"2011-07-05T02:34:25","date_gmt":"2011-07-05T02:34:25","guid":{"rendered":"http:\/\/luzemhisterio.com.br\/blog\/?p=58"},"modified":"2015-09-06T17:58:30","modified_gmt":"2015-09-06T17:58:30","slug":"maat-a-deusa-da-justica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/ritos-e-deuses\/maat-a-deusa-da-justica\/","title":{"rendered":"Maat a Deusa da Justi\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-59 size-full\" src=\"http:\/\/luzemhisterio.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Maat_justice.jpg\" alt=\"Maat Justi\u00e7a\" width=\"400\" height=\"668\" srcset=\"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Maat_justice.jpg 400w, https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Maat_justice-180x300.jpg 180w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<h2>Ritual da Justi\u00e7a<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando precisar de ajuda da Deusa Maat para revelar a verdade,\u00a0fazer justi\u00e7a ou retificar os erros, prepare um altar com uma vela branca, uma cruz de ansata(Ankh), um incenso de l\u00f3tus, uma pena branca e um c\u00e1lice com \u00e1gua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more-->Acenda a vela e o incenso, segure a Ankh diante de seu cora\u00e7\u00e3o e invoque a Deusa Maat, pedindo-lhe que revele a verdade, Oriente seu caminho e suas decis\u00f5es e fa\u00e7a prevalecer a justi\u00e7a e a ordem em sua vida. beba a \u00e1gua antes de dormir e pe\u00e7a \u00e0 Deusa para lhe enviar sinais ou orienta\u00e7\u00f5es durante seus sonhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Egito se comemora Maat, a deusa da justi\u00e7a, da verdade, guardi\u00e3 da balan\u00e7a\u00a0que analisava a pureza dos cora\u00e7\u00f5es dos mortos, comparando-os \u00e0 pena de avestruz<br \/>\nde sua tiara.<br \/>\nA verdade n\u00e3o \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o moderna. Tal como a conhecemos, ela existe onde h\u00e1 consci\u00eancia; uma est\u00e1 envolvida na outra. Mas de onde vem a verdade, a retid\u00e3o e a justi\u00e7a, e o que podemos chamar de c\u00f3digo de \u00e9tica? Parece que nossa civiliza\u00e7\u00e3o e nossa cultura t\u00eam uma d\u00edvida para com o Egito Antigo. De todas as culturas ou pa\u00edses conhecidos, o Egito tem os mais antigos registros hist\u00f3ricos, remontando a mais de cinco mil anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em eg\u00edpcio, a palavra para verdade \u00e9 Maat. O uso do Maat surgiu na Era das Pir\u00e2mides, iniciada por volta de 2700 a. C. No come\u00e7o, Maat estava associado ao deus sol Ra, ao fara\u00f3, \u00e0 administra\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, ao homem comum, aos rituais dos templos e aos costumes mortu\u00e1rios.<br \/>\nAl\u00e9m disso, Maat eventualmente passou a ser associado a Os\u00edris, o deus do outro mundo. Para os eg\u00edpcios antigos, a palavra Maat significava n\u00e3o s\u00f3 verdade mas tamb\u00e9m retid\u00e3o e justi\u00e7a. Seu s\u00edmbolo do Maat era a pluma de avestruz. A pluma, como s\u00edmbolo, \u00e9 encontrada em toda parte do Egito . nos t\u00famulos e nas paredes e colunas dos templos. A pluma pretende transmitir a ideia de que &#8220;a verdade existir\u00e1&#8221;. A pluma era transportada nas cerim\u00f4nias eg\u00edpcias, muitas vezes sobre um cajado. Ela aparece como fazendo parte do toucado da deusa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A deusa alada Maat. Pintura mural que fica na entrada do t\u00famulo da rainha Nefertari, esposa do fara\u00f3 Rams\u00e9s II.<br \/>\nPara os eg\u00edpcios que viviam na Era das Pir\u00e2mides, discernia-se o Maat como algo praticado pelo indiv\u00edduo. Era tamb\u00e9m uma realidade social e governamental existente, bem como uma ordem moral identificada com o governo do fara\u00f3. Durante toda a hist\u00f3ria do Egito Antigo, o Maat foi o que o fara\u00f3 personificou e aplicou. Maat era a concep\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia de justi\u00e7a; era justi\u00e7a como a ordem divina da sociedade. Era tamb\u00e9m a ordem divina da natureza conforme estabelecida no momento da cria\u00e7\u00e3o. O conceito tanto fazia parte da cosmologia quanto da \u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos textos das pir\u00e2mides do Antigo Reino, est\u00e1 dito que Ra surgiu no local da cria\u00e7\u00e3o: &#8220;&#8230; Depois ele p\u00f4s ordem, Maat, no lugar do caos&#8230; sua majestade expulsou a desordem, a falsidade, das duas terras para que a ordem e a verdade fossem ali novamente estabelecidas&#8221;. A verdade e a ordem foram colocadas no lugar da desordem e da falsidade pelo criador. O fara\u00f3, sucessor do criador, repetia este ato importante na sua subida ao trono, quando das suas vit\u00f3rias, ao terminar a renova\u00e7\u00e3o de um templo e em conex\u00e3o com outros acontecimentos importantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos textos das pir\u00e2mides diz: &#8220;O c\u00e9u est\u00e1 satisfeito e a terra regozija-se quando ouvem que o Rei P\u00e9pi II p\u00f4s Maat no lugar da falsidade e da desordem&#8221;. Os historiadores modernos concluem que a justi\u00e7a era a ess\u00eancia do governo, insepar\u00e1vel do rei e, portanto, o objetivo reconhecido da preocupa\u00e7\u00e3o de um funcion\u00e1rio. Ele n\u00e3o s\u00f3 estava envolvido na concep\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a como tamb\u00e9m na \u00e9tica. Dizia-se que os in\u00fameros deuses dos eg\u00edpcios viviam pelo Maat. Isto quer dizer que os poderes encontrados na natureza funcionavam de acordo com a ordem da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o povo, o fara\u00f3 estava com os deuses em sua rela\u00e7\u00e3o com Maat, como se evidencia por esta cita\u00e7\u00e3o: &#8220;Tornei clara a verdade, Maat, que Ra ama. Sei que ele vive de acordo com ela. Ela tamb\u00e9m \u00e9 meu alimento. Eu tamb\u00e9m como do seu brilho&#8221;. Assim, o rei ou fara\u00f3 vivia pelo Maat.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esperava-se que os funcion\u00e1rios dirigidos pelo fara\u00f3 vivessem de acordo com o Maat, conforme o sugere esta cita\u00e7\u00e3o: &#8220;Se \u00e9s l\u00edder e diriges os assuntos de uma multid\u00e3o, esfor\u00e7a-te por alcan\u00e7ar toda virtude at\u00e9 que n\u00e3o haja mais falhas em tua natureza. Maat \u00e9 bom e sua obra \u00e9 duradoura. Ele n\u00e3o foi perturbado desde o dia do seu criador. Aquele que transgride seus decretos \u00e9 punido. Ele se estende como um caminho \u00e0 frente at\u00e9 mesmo daquele que nada sabe. A m\u00e1 a\u00e7\u00e3o at\u00e9 hoje nunca levou seu empreendimento a termo&#8221;. O significado aqui \u00e9 evidente. Ele pede honestidade. Honestidade era sempre o tema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os funcion\u00e1rios do fara\u00f3 devem esfor\u00e7ar-se por alcan\u00e7ar toda virtude, e sempre imparciais, verdadeiros e justos em seu trabalho. Era cren\u00e7a eg\u00edpcia que a ordem divina foi estabelecida na cria\u00e7\u00e3o e que esta n\u00e3o s\u00f3 se manifestava na natureza, mas tamb\u00e9m na sociedade como justi\u00e7a, e na vida da pessoa como verdade. Maat era esta ordem, a ess\u00eancia da virtude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O conceito de Maat confirma a antiga cren\u00e7a eg\u00edpcia de que o universo \u00e9 imut\u00e1vel, e que todos os opostos aparentes devem manter-se mutuamente num estado de equil\u00edbrio. Ele subentende vigorosamente uma perman\u00eancia; estimula o homem a esfor\u00e7ar-se por alcan\u00e7ar a virtude at\u00e9 que n\u00e3o tenha mais falhas. A harmonia e a ordem estabelecida de Maat, assim como a perman\u00eancia, est\u00e3o subentendidas nisso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um homem s\u00f3 teria \u00eaxito na vida, se vivesse harmoniosamente de acordo com o conceito de Maat e em sintonia com a sociedade e a natureza. A retid\u00e3o produzia alegria; o contr\u00e1rio trazia o infort\u00fanio. Este era um conceito profundo para os eg\u00edpcios antigos, um conceito que ultrapassava o \u00e2mbito da \u00e9tica, poder\u00edamos dizer, e que na verdade afetava a exist\u00eancia do homem e seu relacionamento com a sociedade e a natureza. \u00c9 claro que havia aqueles, entre os antigos eg\u00edpcios, que n\u00e3o desejavam seguir os preceitos de Maat.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Maat predominava por toda a terra. O campon\u00eas insistia que mesmo o mais pobre tinha direitos inerentes. Achava-se que o deus criador fizera todo homem igual ao seu irm\u00e3o; a exist\u00eancia era curta para quem praticava a inverdade, a falsidade e a desordem, os opostos de Maat. Isto tornava imposs\u00edvel a vida. A efici\u00eancia de Maat n\u00e3o podia estar presente quando a pessoa praticava a desonestidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos os deuses do pante\u00e3o eg\u00edpcio agiam de acordo com a ordem estabelecida de Maat. O eg\u00edpcio acreditava que o Maat da ordem divina seria o mediador entre ele e os deuses. De acordo com essa cren\u00e7a, quando um homem errava n\u00e3o cometia crime contra um deus, mas atingia diretamente a ordem estabelecida. Um ou outro deus providenciaria para que a ordem fosse vingada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas pinturas que se veem nas paredes dos templos e dos t\u00famulos o fara\u00f3 aparece exibindo Maat aos outros deuses diariamente. Assim, o fara\u00f3 estava cumprindo sua fun\u00e7\u00e3o divina de acordo com a ordem de Maat em nome dos deuses. Vemos aqui tamb\u00e9m a infer\u00eancia de perman\u00eancia, que Maat era eterno e inalter\u00e1vel. Este era a verdade .uma verdade que n\u00e3o era suscet\u00edvel de verifica\u00e7\u00e3o ou comprova\u00e7\u00e3o. A verdade sempre estava em seu lugar certo na ordem criada e mantida pelos deuses. Era um direito criado e herdado que a tradi\u00e7\u00e3o dos eg\u00edpcios antigos transformou num conceito de estabilidade organizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A lei da terra era a palavra do fara\u00f3, pronunciada por ele de acordo com o conceito de Maat. Como o pr\u00f3prio fara\u00f3 era um deus, ele era o int\u00e9rprete terreno de Maat. Em consequ\u00eancia, tamb\u00e9m estava sujeito ao controle de Maat dentro dos limites da sua consci\u00eancia. Se qualquer eg\u00edpcio quisesse experimentar a felicidade eterna, esperava-se que fosse moralmente circunspecto. O car\u00e1ter pessoal era mais importante que a riqueza material.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo a cren\u00e7a do Antigo Reino, Ra era o deus do mundo dos vivos, havendo refer\u00eancias feitas &#8220;\u00e0quela balan\u00e7a de Ra onde ele pesa Maat. . O conceito era que Maat perdurava passando \u00e0 eternidade. Ele ia para a necr\u00f3pole com o morto e era depositado ali. Quando sepultado ou fechado num t\u00famulo, seu nome n\u00e3o morria; era lembrado pelo bem que ele emanava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em tempos posteriores, o deus Os\u00edris, que estava relacionado com a vida futura, tornar-se-ia juiz dos mortos, presidindo a pesagem do cora\u00e7\u00e3o de um homem contra o s\u00edmbolo de Maat. Acreditava-se que o cora\u00e7\u00e3o era o centro da mente e da vontade. Antes desse per\u00edodo, o tribunal divino estava sob o deus sol Ra e a pesagem chamava-se contagem do car\u00e1ter.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos documentos mais famosos do Egito Antigo \u00e9 o Livro dos Mortos, que cont\u00e9m textos f\u00fanebres, cujo uso come\u00e7ou com o Per\u00edodo Imperial e continuou sendo usado em per\u00edodos subsequentes. No Livro dos Mortos encontra-se a chamada Confiss\u00e3o a Maat.<br \/>\nPara conseguir um lugar na vida futura, um eg\u00edpcio precisava confessar que n\u00e3o cometera erra algum; portanto, ele fazia uma verdadeira declara\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia, que \u00e9 o inverso de uma confiss\u00e3o. Os egipt\u00f3logos e historiadores contempor\u00e2neos acham que o termo confiss\u00e3o \u00e9 err\u00f4neo. Contudo, por tradi\u00e7\u00e3o continuaremos sem d\u00favida a denominar os textos f\u00fanebres a este respeito no Livro dos Mortos como a Confiss\u00e3o a Maat.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os textos est\u00e3o escritos em papiros e falam do tribunal para o eg\u00edpcio morto. O juiz \u00e9 Os\u00edris, ajudado por quarenta e dois deuses que se sentam com ele para julgar os mortos. Os deuses representavam os quarenta e dois nomos, ou distritos administrativos, do Egito.<br \/>\nEvidentemente os sacerdotes criaram o tribunal de quarenta e dois ju\u00edzes para controlar o car\u00e1ter dos mortos de todas as partes do pa\u00eds .sendo a ideia de que pelo menos um juiz teria de vir do nomo do morto. Os ju\u00edzes representavam os v\u00e1rios males, pecados, etc. O eg\u00edpcio morto que estava sendo julgado n\u00e3o confessava pecados, mas afirmava sua inoc\u00eancia dizendo: &#8220;N\u00e3o matei&#8221;, &#8220;N\u00e3o roubei&#8221;, &#8220;N\u00e3o furtei&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para os eg\u00edpcios antigos a morte n\u00e3o era o fim e sim uma interrup\u00e7\u00e3o. O eg\u00edpcio n\u00e3o devia incorrer jamais no desagrado da sua divindade e do Maat. O conceito do julgamento sem d\u00favida causava impress\u00e3o profunda nos eg\u00edpcios vivos. O drama envolvendo Os\u00edris \u00e9 v\u00edvido e descreve o julgamento tal como afetado pela balan\u00e7a.<br \/>\nUm certo papiro, de excelente feitura e arte, mostra Os\u00edris sentado num trono numa extremidade da sala do tribunal, com \u00cdsis e N\u00e9ftis de p\u00e9 atr\u00e1s dele. Num dos lados da sala est\u00e3o dispostos os nove deuses da Novena Heliopolitana dirigida pelo deus sol. No centro est\u00e1 a balan\u00e7a de Ra onde ele pesa a verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A balan\u00e7a \u00e9 manipulada pelo antigo deus dos mortos, An\u00fabis, de cabe\u00e7a de chacal, e atr\u00e1s dele, Toth, o escriba dos deuses, que preside a pesagem. Atr\u00e1s deste fica o crocodilo monstro pronto para devorar o injusto. Ao lado da balan\u00e7a, em sutil insinua\u00e7\u00e3o, est\u00e1 a figura do destino acompanhada pelas duas deusas do nascimento que est\u00e3o prestes a contemplar o destino da alma cuja vinda ao mundo elas certa feita presidiram. Na entrada est\u00e1 a deusa da verdade, Maat. Ela deve conduzir a alma rec\u00e9m-chegada \u00e0 sala do julgamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">An\u00fabis pede o cora\u00e7\u00e3o do rec\u00e9m-chegado. Este \u00e9 posto num dos pratos da balan\u00e7a enquanto no outro aparece a pluma, o s\u00edmbolo de Maat. Dirigia-se ao cora\u00e7\u00e3o e se pedia a ele que n\u00e3o se erguesse contra o morto como testemunha. O apelo era aparentemente eficaz, pois Toth dizia: &#8220;Ouvi esta palavra em verdade. Julguei o cora\u00e7\u00e3o&#8230; Sua alma \u00e9 testemunha sobre ele. Seu car\u00e1ter \u00e9 justo segundo a pesagem da grande balan\u00e7a. N\u00e3o se encontrou pecado algum nele&#8221;. Tendo assim recebido um veredito favor\u00e1vel, o morto \u00e9 conduzido por H\u00f3rus, o filho de \u00cdsis, e apresentado a Os\u00edris. Ap\u00f3s ajoelhar-se, o morto \u00e9 recebido no reino de Os\u00edris.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Confiss\u00e3o a Maat, o morto declarava sua inoc\u00eancia. Afirmava que nada fizera de errado. Em muitos casos um escaravelho, onde estava escrita uma f\u00f3rmula, era enterrado com o morto. Esta f\u00f3rmula destinava-se a impedir que seu pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o se levantasse como testemunha contra ele.<br \/>\nNa 18.\u00aa Dinastia, Amenhotep IV desalojou Os\u00edris e os muitos deuses. Ele deu evid\u00eancia e enfatizou Maat como o s\u00edmbolo da verdade, da justi\u00e7a e da retid\u00e3o. O disco solar tornou-se Aton. Amenhotep anexava regularmente o s\u00edmbolo de Maat \u00e0 forma oficial do seu nome verdadeiro. Em todos os seus monumentos de estado veem-se escritas as palavras Vivendo na Verdade, ou Maat.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em conformidade com este fato, Amenhotep chamou sua nova capital de Aquetaton, Horizonte de Aton e O Centro da Verdade. Esta \u00faltima refer\u00eancia \u00e9 encontrada num breve hino atribu\u00eddo \u00e0 Amenhotep quando, com sua rainha Nefertiti, ele transferiu sua resid\u00eancia para Aquetaton e adotou o nome de Akhenaton, que significa aquele que \u00e9 ben\u00e9fico a Aton.<br \/>\nOs seguidores do conceito monote\u00edsta de Akhenaton estavam plenamente cientes das convic\u00e7\u00f5es do fara\u00f3 sobre Maat. Com frequ\u00eancia encontramos as pessoas da sua corte glorificando Maat, ou a verdade. Em sua revolu\u00e7\u00e3o, Aton, o deus \u00fanico, era o criador e mantenedor da verdade e da retid\u00e3o. Maat, ou a verdade, era a for\u00e7a c\u00f3smica da harmonia, da ordem, da estabilidade e da seguran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Era das Pir\u00e2mides, Ptah-hotep apresentou o conceito de que o cora\u00e7\u00e3o era o centro da responsabilidade e da orienta\u00e7\u00e3o. No tempo de Tutmosis III, na 18.\u00aa Dinastia, declarou-se que &#8220;O cora\u00e7\u00e3o de um homem \u00e9 seu pr\u00f3prio deus, e meu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 satisfeito com meus atos&#8221;.<br \/>\nPensava-se que esta fosse a voz interior do cora\u00e7\u00e3o e, com surpreendente percep\u00e7\u00e3o, chegou a ser chamada de o deus de um homem. O eg\u00edpcio tornara-se mais sens\u00edvel, mais discriminador na sua aprova\u00e7\u00e3o ou reprova\u00e7\u00e3o da conduta de um homem. O cora\u00e7\u00e3o assumiu o equivalente ao significado da nossa palavra consci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">James Henry Breasted escreveu que da verdade, da retid\u00e3o, do conceito de justi\u00e7a de Maat veio a consci\u00eancia e o car\u00e1ter. Akhenaton destacou repetidamente o conceito de retid\u00e3o de Maat. Ele desenvolveu o reconhecimento da supremacia de Maat como retid\u00e3o e justi\u00e7a numa ordem moral nacional sob um \u00fanico deus.<br \/>\nO conceito de Maat do Egito Antigo prevaleceu intensamente at\u00e9 o Reino do Meio ou come\u00e7o do Per\u00edodo Imperial. Durante algum tempo ele esteve relativamente ignorado, mas recuperou sua for\u00e7a no per\u00edodo de toda a 18.\u00aa Dinastia, especialmente durante o tempo de Akhenaton. Mas na \u00e9poca da 20.\u00aa Dinastia, Maat deca\u00edra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Havia a inefici\u00eancia governamental, a indiferen\u00e7a, a fuga da responsabilidade e a desonestidade. A consci\u00eancia social, o interesse de grupo e a integridade pessoal deixavam de existir. J\u00e1 n\u00e3o havia mais um homem justo, vivendo em harmonia com a ordem divina de Maat. Deixara de existir o conceito de car\u00e1ter, de dignidade humana e dec\u00eancia. Quando a ordem estabelecida de Maat, sobre a qual se apoiava o modo de vida eg\u00edpcio, foi descartada, a vida perdeu o significado. A antiga verdade, Maat, que predominara por uns dois mil anos, deixara de se impor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos de reconhecer pela monumental evid\u00eancia que, para os eg\u00edpcios antigos, o conceito de Maat criou uma grande sociedade humana onde havia justi\u00e7a na pessoa humana e social. &#8211; Fonte de Pesquisa: <a href=\"http:\/\/www.starnews2001.com.br\/egypt\/maat.htm\">http:\/\/www.starnews2001.com.br\/egypt\/maat.htm<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> Ritual da Justi\u00e7a<br \/>\n Quando precisar de ajuda da Deusa Maat para revelar a verdade,\u00a0fazer justi\u00e7a ou retificar os erros, prepare um altar com uma vela branca, uma cruz de ansata(Ankh), um incenso de l\u00f3tus, uma pena branca e um c\u00e1lice com \u00e1gua.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":59,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[27,28,26],"class_list":["post-58","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ritos-e-deuses","tag-deusa","tag-justica","tag-maat"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":430,"href":"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58\/revisions\/430"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/59"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}