{"id":93,"date":"2010-01-23T14:24:29","date_gmt":"2010-01-23T14:24:29","guid":{"rendered":"http:\/\/luzemhisterio.com.br\/blog\/?p=93"},"modified":"2015-05-01T16:43:27","modified_gmt":"2015-05-01T16:43:27","slug":"celebracao-de-hathor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/ritos-e-deuses\/celebracao-de-hathor\/","title":{"rendered":"Celebra\u00e7\u00e3o de Hathor"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-94\" src=\"http:\/\/luzemhisterio.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/hathor-196x300.jpg\" alt=\"hathor\" width=\"196\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/hathor-196x300.jpg 196w, https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/hathor.jpg 298w\" sizes=\"auto, (max-width: 196px) 100vw, 196px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hathor \u00e9 uma das deusas mais veneradas do Egito Antigo, a deusa das mulheres, dos c\u00e9us, do amor, da alegria, do vinho, da dan\u00e7a, da fertilidade e da necr\u00f3pole de Tebas, pois sai da fal\u00e9sia para acolher os mortos e velar os t\u00famulos.<\/p>\n<h2><!--more-->M\u00e3e Brilhante\/Obscura<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das Deusas M\u00e3es do Egito era Hathor, constantemente chamada de m\u00e3e de todas as deidades e deusa da Lua. Originalmente, seu nome era Het-Hert ou Hat-Hor, o que significa A Casa ou O Ventre de H\u00f3rus. Hathor criou-se a si pr\u00f3pria, uma forte indica\u00e7\u00e3o de que seu culto j\u00e1 acontecia quando da ascens\u00e3o das divindades masculinas dominantes.Os eg\u00edpcios a chamavam de a Vaca Celestial, que originou a Via L\u00e1ctea a partir de seus fluidos vitais.Era tamb\u00e9m identificada com o lend\u00e1rio ganso do Nilo que botou o Ovo Dourado do Sol. Ela era a rainha o Oeste(os mortos), mas tamb\u00e9m a protetora das mulheres e da maternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hathor possu\u00eda tamb\u00e9m um lado obscuro.No inicio, quando a humanidade ainda dava seus primeiros passos na Terra, o deus solar R\u00e1 decidiu punir os humanos por se tornarem perversos e desrespeitosos aos deuses.Ele ordenou a Hathor que executasse sua vingan\u00e7a.A deusa matou humanos at\u00e9 que seu sangue corresse em rios.R\u00e1 passou a sentir remorso pelos humanos e pediu a Hathor que parasse mas, por estar ensandecida, ela se recusou.Finalmente, R\u00e1 lan\u00e7ou 7.000 jarras de cerveja misturadas com mandr\u00e1gora para que parecesse sangue. Hathor bebeu toda a cerveja, ficou completamente embriagada e esqueceu-se de seu desejo por sangue.<\/p>\n<h2>Poderes<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a leg\u00edtima portadora do sistro (era feito em geral em bronze, mas tamb\u00e9m existiam exemplares em madeira e em faian\u00e7a. Os sistros estavam particularmente associados ao culto da deusa Hathor, mas poderiam tamb\u00e9m ser empregues no de \u00cdsis, Bastet e Amoun. Os Eg\u00edpcios acreditavam que o som produzido pelo instrumento poderia aplacar o deus em quest\u00e3o. Quando o culto de \u00cdsis se difundiu na bacia do Mediterr\u00e2neo, o sistro tornou-se um instrumento popular entre os Romanos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trazia a felicidade e era chamada de &#8220;dama da embriaguez&#8221; e muito celebrada em festas.<br \/>\nAs mulheres solteiras oravam para ela para enfeiti\u00e7ar seus espelhos de metal.<br \/>\nDistribuidora do amor e da alegria, deusa do c\u00e9u e protetora das mulheres, nutriz do deus H\u00f3rus e do fara\u00f3.<\/p>\n<h2>Hist\u00f3ria<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hathor (ou het-heru) era associada com \u00cdsis e com Bast, por\u00e9m, esta Hathor mais conhecida \u00e9 a reformula\u00e7\u00e3o de uma Hathor pr\u00e9 din\u00e1stica, muito mais antiga, da qual pouco foi revelado e muito foi ocultado pela classe sacerdotal. Seu poder era t\u00e3o grande que, mesmo com estas reformula\u00e7\u00f5es e confus\u00f5es, em mais de uma dinastia o Fara\u00f3 era considerado filho de Hathor ou seu consorte.<\/p>\n<h2>Culto<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Personifica\u00e7\u00e3o das for\u00e7as ben\u00e9ficas do c\u00e9u, depois de \u00cdsis, \u00e9 a mais venerada das deusas. Era prestado culto a Hathor em todo o Egito, em especial em Dender\u00e1. Venerada em Dendera por nas suas m\u00e3os divinas florescer o amor, a bela deusa, filha de R\u00e1, in\u00fameras vezes representada sob a forma de uma vaca, desempenhava, tal como sucedia a um rol imensur\u00e1vel de outros deuses, d\u00edspares pap\u00e9is, em diferentes zonas do Egito. Podemos afirmar que as suas origens remontam a uma \u00e9poca long\u00ednqua da hist\u00f3ria, j\u00e1 que a deusa consta do documento eg\u00edpcio mais antigo conhecido at\u00e9 ao momento: a \u201cPaleta de Narmer\u201d, cuja leitura nos permite conhecer a unifica\u00e7\u00e3o do Egito por Narmer, primeiro fara\u00f3 da I Dinastia, acontecimento que constitui a inaugura\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o fara\u00f4nica. Ambas as faces deste documentos est\u00e3o ornadas com cabe\u00e7as de vaca que, tal como referido anteriormente, simbolizam a deusa H\u00e1thor. No Delta, \u00e9 associada ao c\u00e9u, sustendo o disco- solar no seu toucado, enquanto, em Tebas, surgia como uma deusa da morte. Enquanto protetora da necr\u00f3pole tebana, H\u00e1thor \u00e9 representada como uma vaca emergindo de uma montanha escarpada que simboliza a fal\u00e9sia onde est\u00e3o escavados os t\u00famulos. Aqueles que se aproximavam da morte, suplicavam, assim, pela sua prote\u00e7\u00e3o, ao longo das suas viagens at\u00e9 ao al\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com efeito, tal como a maioria das divindades eg\u00edpcias, H\u00e1tor sabia mostrar-se cruel e devastadora. Tomemos como exemplo uma das lendas, que procura explicar as mudan\u00e7as de esta\u00e7\u00e3o, na qual, ap\u00f3s uma feroz discuss\u00e3o com o seu pai, H\u00e1tor refugia-se no deserto, permitindo que as trevas invadissem a terra, uma vez que o Sol somente ocuparia o seu leg\u00edtimo lugar, quando a deusa retornasse. A euforia rasga t\u00e3o profundo pesar, quando, persuadida por seu pai, H\u00e1tor regressa, enfim, banindo a noite. Em torno desta personagem, tece-se ainda outra narrativa, notavelmente, violenta. Indignado por a humanidade lhe haver desobedecido, R\u00e1 toma a decis\u00e3o de massacr\u00e1-la, enviando, para este fim, a sua filha, tornada num olho solar fulminante. Por\u00e9m, ao contemplar a devasta\u00e7\u00e3o que a sua filha causava, R\u00e1 compadece-se daqueles que lhe haviam desobedecido e toma a resolu\u00e7\u00e3o de por fim a t\u00e3o hediondo crime. Deste modo, convida a sua filha a sorver uma cerveja cor de sangue, que, al\u00e9m de a embriagar, lan\u00e7a-a num sono profundo. Ao despertar, a sua c\u00f3lera insaci\u00e1vel havia-se desvanecido, pelo que os derradeiros sobreviventes da sua chacina permaneceram inc\u00f3lumes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Dendera, ergueu-se, no templo ptolomaico, um imponente templo em sua honra, que a deusa deixava, anualmente, para, ap\u00f3s uma prolixa viagem atrav\u00e9s do Nilo (em que o seu temperamento bravio era suavizado por m\u00fasicas e bebidas) consumar o seu divino casamento com o deus- falc\u00e3o H\u00f3rus, que a aguardava em Edfu (cidade situada a cerca de cento e sessenta quil\u00f4metros a montante do Nilo). Esta dilig\u00eancia m\u00edtica, que mantinha H\u00e1thor afastada da sua morada durante cerca de tr\u00eas semanas, era celebrada pelos eg\u00edpcios com um festival alegre e faustoso. Procurando reproduzir o trajeto executado pela deusa, a solene prociss\u00e3o seguia ent\u00e3o pelo rio, rasgando com uma barca (\u201cA Bela de Amor) onde, detentora de uma fast\u00edgio inigual\u00e1vel, uma est\u00e1tua de H\u00e1thor se elevava. Concomitantemente, os sacerdotes de Edfu preparam o encontro dos esposos, que ocorrer\u00e1 no exterior do santu\u00e1rio, mais exatamente numa ex\u00edgua capela localizada a norte da cidade. Este encontro deveria suceder num momento preciso, ou seja, \u00e0 oitava hora do dia da lua nova do d\u00e9cimo primeiro m\u00eas do ano. Quando por fim H\u00e1thor aben\u00e7oa Edfu com a sua magn\u00edfica presen\u00e7a e perfuma aos l\u00e1bios de seu esposo com o incenso de um beijo, iniciam-se ent\u00e3o as festividades, no decorrer das quais a deusa \u00e9 aclamada, saudada e inebriada com a m\u00fasica docemente tocada em sua honra. N\u00e3o era pois H\u00e1thor a \u201cDourada\u201d, a \u201cDama das Deusas\u201d, \u201cA Senhora\u201d e \u201cA Senhora da embriagues, da m\u00fasica e das dan\u00e7as\u201d?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguidamente, os esposos separam-se e ocupam as suas barcas, para que o cortejo possa dirigir-se para o santu\u00e1rio principal, onde os sacerdotes puxam as embarca\u00e7\u00f5es para fora de \u00e1gua e instalam-nas no recinto. Uma vez mais acompanhada por seu marido, H\u00e1thor sa\u00fada ent\u00e3o seu pai, o Sol, que ao lado de H\u00f3rus velava por Edfu, como referem os in\u00fameros textos encontrados: \u201cela vai ao encontro de seu pai R\u00e1, que exulta ao v\u00ea-la, pois \u00e9 o seu olho que est\u00e1 de volta\u201d. Terminado este encontro, t\u00e3o lend\u00e1rios esponsais s\u00e3o enfim celebrados, prometendo, entre sumptuosos festejos, os dois deuses a divinas n\u00fapcias de luz. No dia seguinte, d\u00e1-se in\u00edcio a uma faustosa festa, que se demora pelos catorze dias do quarto crescente, num per\u00edodo de tempo marcado por um rol quase inef\u00e1vel de ritos, sacrif\u00edcios, visitas a santu\u00e1rios, celebra\u00e7\u00f5es, solenidades, entre outros eventos. Um grande banquete, no fim do qual d\u00e1-se a separa\u00e7\u00e3o de H\u00e1thor e H\u00f3rus consagra o fim das festividades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal como salienta Plutarco, o escritor grego, na escrita hierogl\u00edfica o nome de H\u00e1thor l\u00ea-se Hut- Hor, isto \u00e9, \u201ca morada de H\u00f3rus\u201d ou \u201ca habita\u00e7\u00e3o c\u00f3smica de H\u00f3rus\u201d, sendo portanto flagrante que a deusa representa o espa\u00e7o celeste no qual o H\u00f3rus solar se desloca.<br \/>\nDenominada \u201cSenhora do Sic\u00f4moro\u201d, deusa das \u00e1rvores, H\u00e1tor surge in\u00fameras vezes a amamentar os defuntos, especialmente, os fara\u00f3s, mediante os longos ramos de um sic\u00f4moro. H\u00e1thor, como deusa benevolente, possu\u00eda a intensa devo\u00e7\u00e3o, n\u00e3o somente de nobres, mas tamb\u00e9m dos mais humildes, erigindo-se, deste modo, em seu redor um culto que se proliferou no Imp\u00e9rio Romano. Todavia, a crescente popularidade do culto, tecido em torno de Os\u00edris e \u00cdsis, levou a que este deidade passasse a deter algumas das fun\u00e7\u00f5es de H\u00e1thor, acabando estas por fundir-se numa \u00fanica divindade.<\/p>\n<h2>Iconografia<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sua representa\u00e7\u00e3o mais interessante \u00e9 aquela que lhe permite surgir como soberana dos quatro cantos do c\u00e9u e senhora dos pontos cardeais. Os quatro semblantes que a representam simbolizam cada um deles um determinado aspecto da sua personalidade, ou seja, H\u00e1thor- leoa, sublime olho dos astro solar, que os inimigos de seu pai, R\u00e1, aniquila sem hesitar; H\u00e1thor- vaca, poderosa soberana do amor e do renascimento; H\u00e1thor- cobra, incarna\u00e7\u00e3o da beleza e juventude; e, por fim, H\u00e1thor- gata, eterna protetora dos lares e, claro, ama real.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> Hathor \u00e9 uma das deusas mais veneradas do Egito Antigo, a deusa das mulheres, dos c\u00e9us, do amor, da alegria, do vinho, da dan\u00e7a, da fertilidade e da necr\u00f3pole de Tebas, pois sai da fal\u00e9sia para acolher os mortos e velar os t\u00famulos.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":94,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[27,30,39],"class_list":["post-93","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ritos-e-deuses","tag-deusa","tag-egito","tag-hathot"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":459,"href":"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93\/revisions\/459"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/94"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/luzemhisterio.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}