No dia 25 de janeiro, vamos lembrar do essencial: a vida é cíclica, protegida e tecida por forças maiores.

Sob a luz da Lua, celebramos dois movimentos ancestrais que se reconhecem além das fronteiras. Do Oriente, o Festival Lunar de Tết, no Vietnã, nos convida ao recomeço consciente, à limpeza do passado e à honra aos ancestrais que sustentam o presente. Do Norte antigo, o Dia dedicado às Dísir, deusas protetoras dos homens, acompanhadas por Urdh, a guardiã do destino já tecido, recorda que nenhum passo é dado sem amparo invisível.
Este é um dia que fala de origem, destino e continuidade. Um portal onde o novo ciclo nasce abençoado pela memória, e onde o futuro não se impõe — se alinha. As celebrações de hoje nos lembram que renovar a vida é também respeitar o fio que nos trouxe até aqui.
Que este dia seja vivido com presença, gratidão e confiança.
Entre a Lua que renasce e o destino que sustenta, seguimos protegidos.

Palavra do dia: Sob a Lua que renova e o destino que protege, caminhamos confiantes, guiados pela memória ancestral e pelo fio invisível do recomeço.”

Ritual do Recomeço, Proteção e Destino Consciente

Você vai precisar apenas de: um fio ou linha clara (branca, bege ou dourada)
um copo com água.
Sente-se em um lugar tranquilo. Coloque o copo com água à sua frente e segure o fio entre as mãos. Respire fundo três vezes, sentindo o corpo chegar ao agora.(A Água do Recomeço) – Olhe para a água e diga em voz baixa ou mentalmente: “Honro o que passou e me abro ao novo ciclo.”
Visualize a Lua renovando suas emoções e limpando o que não precisa mais ser levado adiante.
(O Fio do Destino)Segure o fio com delicadeza e declare:
“Confio no caminho que me sustenta. Sou protegido(a) enquanto avanço.”
Sinta que esse fio representa o destino consciente, tecido com cuidado e sabedoria.
(Bênção das Guardiãs) – Feche os olhos por alguns instantes e imagine uma presença protetora ao seu redor — firme, silenciosa, ancestral.
Não peça nada. Apenas agradeça.
Beba um pouco da água, em sinal de integração. Guarde o fio em um local especial (bolsa, livro, altar ou caderno). Ele será um lembrete sutil:
todo recomeço verdadeiro nasce protegido. Respire mais uma vez… E siga o dia com suavidade.

25 de Janeiro – Dedicado às Dísir

Há um dia sutil no calendário sagrado do Norte em que o silêncio se torna presença e o invisível caminha ao lado dos vivos: o Dia dedicado às Dísir.
As Dísir são antigas deusas protetoras dos homens, espíritos femininos ancestrais ligados à linhagem, ao destino e à continuidade da vida. Não são deusas distantes, mas guardadoras próximas, que acompanham cada ser humano como uma sombra benevolente, zelando pela honra, pela coragem e pelo fio invisível que liga o indivíduo ao seu clã.
Elas caminham ao lado de Urdh, a mais antiga das Nornas, a deusa do destino já tecido, aquela que guarda o passado e sustenta a raiz do tempo. As Dísir atuam como mediadoras entre o que foi decidido e o que ainda pode ser vivido, protegendo o percurso humano dentro dos limites do destino traçado.
Este dia é uma celebração da proteção feminina arquetípica: a força que não domina, mas sustenta; que não interfere, mas orienta; que não grita, mas sussurra intuições. Honrar as Dísir é reconhecer que ninguém caminha só — cada passo é acompanhado por memórias ancestrais, por mulheres que vieram antes, por energias que conhecem o caminho mesmo quando a mente se perde.
Tradicionalmente, este é um tempo de recolhimento respeitoso, onde se acendem pequenas luzes, oferecem-se alimentos simples e se pronunciam palavras de gratidão. Não se pede favores. Agradece-se a proteção já recebida, a sobrevivência, os desvios evitados, as escolhas intuídas no momento certo.
No plano simbólico e psicológico, o Dia das Dísir nos convida a integrar o feminino protetor interno: a capacidade de cuidar de si, de honrar a própria história, de respeitar os limites do destino sem perder a dignidade do livre-arbítrio. Sob o olhar de Urdh, aprendemos que o passado não aprisiona — ele sustenta.
Celebrar as Dísir é lembrar que o destino não é uma sentença fria, mas um tecido vivo, onde mãos invisíveis ajudam a alinhar cada fio. É um dia para caminhar com mais consciência, confiando que, mesmo nas noites mais longas, há guardiãs antigas velando pelo caminho.

Mantras:

  • Dísir antigas, guardiãs do meu caminho, caminhem comigo no silêncio.
  • Urdh, tecelã do destino, sustenta meus passos com memória e sabedoria.
  • Honro minhas ancestrais, honro minha linhagem, honro minha história.
  • Onde há dúvida, que a intuição das Dísir me conduza.
  • Confio no fio que me sustenta, mesmo quando não o vejo.

Afirmações de Proteção e Destino:

  • Sou acompanhado(a) por forças ancestrais de proteção e sabedoria.
  • O destino que me sustenta honra minha história e respeita minha essência.
  • Caminho com coragem, pois não estou só.
  • O passado me fortalece, não me aprisiona.
  • Reconheço e acolho o feminino protetor que vive em mim.
  • Minhas escolhas se alinham com o fio mais verdadeiro do meu destino.

Meditação Dirigida – O Círculo das Guardiãs

Encontre um lugar tranquilo. Sente-se ou deite-se confortavelmente.
Feche os olhos. Inspire profundamente… Expire lentamente… Permita que o corpo desacelere. Visualize agora um fio luminoso surgindo sob seus pés.
Ele é antigo. Feito de memória, experiência e tempo. À sua volta, começam a se formar presenças femininas sutis. Elas não têm um rosto definido, mas você sente acolhimento, firmeza e proteção. São as Dísir, guardiãs do seu caminho.
Atrás delas, um pouco mais distante, você percebe Urdh, sentada junto à raiz de uma grande árvore. Ela segura o fio do destino com serenidade. Nada força.
Nada apressa. As Dísir se aproximam e dizem, sem palavras:
“Você pertence. Você é sustentado(a). Você não caminha só.”
Sinta essas palavras se acomodando em seu peito. Permita que memórias ancestrais de força despertem suavemente dentro de você.
Agora, leve sua atenção ao coração e declare, em silêncio ou em voz baixa:
“Aceito caminhar com consciência, honra e proteção.”
Respire mais uma vez… E outra… Quando sentir que é o momento, agradeça.
As figuras se afastam lentamente, mas o fio permanece firme sob seus pés.
Abra os olhos. Leve consigo a certeza:
o destino não é um peso — é uma sustentação.

No dia 25 de janeiro, o coração do Vietnã pulsa no ritmo da Lua com a celebração do Festival Lunar de Tết, o Ano-Novo vietnamita — a passagem mais sagrada do calendário tradicional.

O Tết não é apenas a troca de um ano por outro. É um rito de renascimento. Um portal lunar onde o tempo antigo se despede, levando consigo dores, conflitos e excessos, para que a vida possa recomeçar mais leve, mais limpa, mais consciente.
Guiado pela Lua Nova, o Tết honra o princípio do retorno à essência. As casas são cuidadosamente limpas, não só para retirar o pó visível, mas para dissolver energias estagnadas. Altares ancestrais são enfeitados com flores, frutas e incensos, pois neste dia o véu entre os vivos e seus antepassados se torna delicado e amoroso. Os ancestrais são convidados a voltar, abençoar, orientar, proteger.
É um festival profundamente familiar e espiritual. As gerações se reencontram, os mais jovens reverenciam os mais velhos, e desejos de prosperidade, saúde e harmonia são trocados como sementes lançadas ao futuro. As cores vermelha e dourada — símbolos de vitalidade, sorte e abundância — iluminam ruas, roupas e corações.
No plano simbólico, o Tết Lunar fala de reconciliação com o próprio destino. Dívidas emocionais são perdoadas, palavras duras são silenciadas, e a intenção é começar o novo ciclo com o espírito limpo, alinhado com o fluxo natural da vida. A Lua, senhora dos ritmos internos, recorda que todo verdadeiro ano novo começa dentro.
Celebrar o Festival Lunar de Tết é reconhecer que a vida é feita de ciclos — e que cada recomeço é um convite sagrado para viver com mais presença, gratidão e consciência. Sob a Lua que renasce, o Vietnã nos ensina: honrar o passado, viver o presente e semear o futuro com delicadeza.

Vivencie os momentos do dia.
Namastê!