Desconforto Necessário
Você é o autor das suas escolhas?


Essa não é uma pergunta confortável.
E talvez nem devesse ser.
Porque existe uma diferença silenciosa e profunda entre viver e simplesmente seguir o fluxo do que se apresenta.
Você acorda. Faz escolhas. Toma decisões. Mas… quantas delas nasceram, de fato, em você?
Grande parte da nossa vida acontece no piloto automático. Repetimos hábitos. Seguimos padrões. Respondemos a estímulos quase sem perceber.
Escolhemos o que parece mais fácil. Mais rápido. Mais aceito.
E, aos poucos, vamos nos adaptando ao que está disponível, sem necessariamente questionar.
Uma escolha não começa no momento em que você decide. Ela começa antes.
Naquilo que você viu. No que te ensinaram. No que você teme. No que deseja evitar.
Cada decisão carrega influências invisíveis. E isso não invalida suas escolhas, mas complexifica.
Há decisões que nascem da consciência. E há decisões que nascem da reação.
Você escolhe ficar, ou teme ir embora?
Você escolhe dizer sim, ou evita o desconforto de dizer não?
Você escolhe um caminho, ou apenas segue o que parecia mais seguro?
Gostamos de acreditar que estamos no controle. Que somos autores da própria história.
E, em parte, somos. Mas talvez não tanto quanto imaginamos. Porque a liberdade não é apenas poder escolher.
É saber de onde vem a escolha.
Questionar isso pode incomodar. Porque desmonta certezas. Revela influências. Expõe fragilidades.
Mas também abre um espaço raro: o espaço da consciência.
A resposta não é um “sim” ou “não”. Mas um “em construção”.
Você não controla tudo. Mas pode começar a perceber mais.
E, a partir disso, escolher de outro lugar. Ser autor não é escrever uma história perfeita.
É deixar de viver apenas o que foi escrito por outros e começar, aos poucos, a reconhecer a própria voz.

Com presença,
Monica